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Nelson Machado, dublador do Kiko

chesperito @ 00:45

Caê: Como você começou na carreira de dublador e como você descobriu que era esta carreira que você queria seguir?

Nelson: Minha mãe era dubladora. Eu ia com ela pro estúdio quando tinha 12/13 anos. Um dia comecei a fazer. Não descobri que essa era a carreira. Fui trabalhando, trabalhando e fiquei no pedaço até hoje.

Yves: Nelson, além de você ter sido dublador do Carlos Villagrán (Quico) nas séries CH, quais outros trabalhos você fez e qual você acha que foi o mais importante para sua carreira?

Nelson: Eu fiz muita coisa, a gente dubla dois ou três filmes por dia. Agora imagina todos os dias do ano, todos os anos desde 1968... Não dá pra lembrar tudo o que a gente fez.

Quanto a tal da carreira, sempre se faz essa confusão com dubladores, não há carreira, há trabalho. A carreira é de ator, a gente faz teatro, TV, cinema, dublagem, o que aparecer. Um dia a gente percebe que aparece mais uma coisa do que a outra e acaba ficando.

No caso da dublagem, não existe esse negócio de "trabalho mais importante pra carreira". Por exemplo, o Kiko me deu muitos fãs, mas não acrescentou um único trabalho a mais na minha vida. Em dublagem, fazer um bom trabalho não significa subir um degrau na carreira imediatamente.

Mas entre trabalhos que fiz, dos quais me lembro e gosto de ter feito tem o Jeff Goldblum na série "A Dupla Genial", tem o Robin Williams em diversos filmes, o Roberto Begnini, a série de desenhos Darkwing Duck, o Glomer da Punky.

Yves: Em que período foi e quantos anos você tinha quando fez a dublagem das séries CH?

Nelson: A série foi feita mais ou menos entre 1983 e 1985, portanto eu estava com 30/31 anos.

Caê: Como foi feita a abordagem por parte do SBT para que você dublasse as séries?

Nelson: Abordagem? Em dublagem? Outro grande engano. A gente recebe a escala, vai pro estúdio no dia e hora marcados, lá tem uma tela, um roteiro em português, a gente dubla e vai embora. Não há abordagens.

Yves: Você ainda tem contato com os outros dubladores das séries CH?

Nelson: Com muitos. Helena Samara, Mário Vilela, Osmiro Campos, Martha Volpiani, Cecília Lemes. Com o Carlos Seidl o contato é mais difícil, já que ele se mudou pro Rio, mas mesmo assim, de vez em quando, a gente se vê.

Yves: Pelo que parece Carlos Villagrán (Quico) saiu brigado com alguns atores das séries CH, você o conheceu no Programa do Jô em 1996, o que você achou dele?

Nelson: Conversamos por um bom tempo fora do estúdio. Foi uma experiência bem agradável!

Yves: Você ainda consegue fazer as vozes dos personagens de Carlos Villagrán?

Nelson: Consigo. Um pouco menos aguda, mas consigo.

Yves: Você tem algum projeto para o futuro?

Nelson: Tenho centenas. Mas essa é uma daquelas perguntas cuja resposta só é possível no campo pessoal. Dublador não tem projetos profissionais. A gente não tem como fazer um projeto, por exemplo, de que no ano que vem vai dublar três séries de desenhos e dois filmes do Begnini. Isso não existe. Nada está nas nossas mãos. A gente vai ao estúdio e descobre na hora o que há pra fazer. Não há projetos.

Caê: Por que você acha que depois de tanto tempo no ar Chaves ainda faz sucesso?

Nelson: Roberto Gomez Bolaños é um gênio. Criou uma vila onde qualquer um, em qualquer parte do mundo, pode achar um personagem com o qual se identifica.

Fonte: http://www.viladochaves.com

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